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Não.Este blog não é sobre a bebida criada pelo deus mitológico Dionísio,e eu nem tenho talento para ser sommelier. É sobre mim,um rapaz baiano que está descobrindo a beleza de ter 23 anos,e saboreando suas experiências,nem sempre bem sucedidas. Mas fique à vontade,pegue a sua taça,vamos fazer um brinde ao que está sempre em nossas mãos: À vida inédita pela frente,e a virgindade dos dias que virão!Tin,tin?
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[Quinta-feira, Abril 17, 2008]

"Beijo Gay Proibido na UCSAL"

Aconteceu ontem à tarde. Enquanto namorava no pátio da Universidade que estudo, nada pode descrever o sentimento de revolta que senti quando, as pessoas que passavam por nós viam com horror as nossas demonstrações de afeto, assim, tão na cara e de forma tão nua. Logo as secretárias e professores saíram de suas salas e correram para ver o grande evento que acontecia no local. Achei engraçado até. Mas de forma alguma me senti intimidado a parar.
Quando vi todos sentarem próximos de nós, assistirem e apontarem com repugnância e desaprovação o que fazíamos, achei que a qualquer momento poderia ser devorado pela massa que se formava cada vez mais ao nosso redor.Nisso, a coordenadora do curso de Letras aparece, observa, hesita, e me chama para conversar em particular:
- Meu filho, eu não tenho nada contra, mas no pátio não pode! Você não tá vendo? Parece que você está fazendo isso para se aparecer!
-...
-Me ligaram, parecia que tinha dois alunos brigando, discutindo no pau, até pensei que tava tendo morte no pátio...E era você, namorando o rapaz.
-Pois é.
-E..?
-Olha, eu sinto muito estar causando todo este transtorno.Mas o que acho mais estranho mesmo,é o caso ser tratado como caso de polícia.Eu entendo que não seja fácil aceitar, e nem quero obrigar que as pessoas que me viram agora abracem a causa.Porém estamos em um centro acadêmico, onde as pessoas fazem curso de nível superior, logo, acredito que possuem entendimento para compreender o que acaba de acontecer.Estou em meio de adultos, correto?
-Mas veja...É estranho.É constrangedor.Tem pessoas de idade que vêem,e acham um absurdo, né?

-Olha.Sempre vi a Universidade abrir espaço para que os militantes gays chegassem aqui e expressassem seus ideais, de forma que eu não vi em nenhum momento a Instituição, que é Católica, desaprovar a iniciativa. Eu mesmo já vi a senhora participar simpaticamente de mesas redondas que tratavam do assunto.No entanto,parece que o tema entrou por um ouvido e saiu pelo outro, porque eu não vi " a diferença" acontecer.Logo a UCSAL que tem como slogan o respeito à diversidade.Me parece que quando quero tornar a discussão em fato real, partir para a ação prática por benefício próprio, sou impelido pelo preconceito.É cansativo demais ter uma vida pessoal, onde a minha liberdade tem que, obrigatoriamente ser vivida às escondidas, porque é feio, porque é pecado, porque é errado eu amar alguém do mesmo sexo.E acho que é hora de sair das escuras, dos becos, dos meios e inferninhos e mostrar a olho nú, que a minha prática, mesmo não sendo compreendida, também precisa ser respeitada. O vizinho ao lado, o amigo, o conhecido pode ser gay...Mas quando é "gente-da-gente", dói, né? Será que a reação negativa ou estranheza, que também foi severamente feminina, é devido fato de eu ser negro, e ele ser branco, loiro, de olhos azuis? Será porque sou aparantável, e elas acreditam ser um desperdício um rapaz como eu, ser homossexual? Pode ser.

Deixa eu te dizer uma outra coisa que julgo importante a senhora saber : O rapaz que eu namoro a 3 meses, que deve estar lá fora roendo todas as unhas, tem um engajamento e consciência social que acredito ser admirável para a pouca idade que ele possui.Quantos aqui na Universidade Católica tem o dom de falar em libras? Aos 20 anos ele escolheu estudar Serviço Social, no sentido de ajudar deficientes audio-visuais a terem mais acesso numa sociedade desumana, desigual, e hipócrita, que segrega os menos favorecidos. Será que estes, que me apontam como transgressor tem esta preocupação? Não será esta uma causa mais nobre a ser discutida, do que os beijos que dou nele no pátio desta Universidade? Ora, faça- me o favor.

A senhora vai me dar licença, agora, porque estou cansado de tanto falar. Eu sinceramente estou honroso em estar aqui, compartilhando as minhas opiniões, e falando de forma tão aberta sobre este assunto contigo. E acho digno que a senhora dê um passeio no jardim da Universidade, porque alguns estudantes usam aquilo lá como ponto de venda de drogas, e fumam seus baseados na frente de todos.Olha a porta aberta para a violência e o tráfico...Olha o risco que eu e você corremos, e a sua gestão fecha os olhos, porque é normal e aceitável um pequeno burguês utilizar entorpecentes para uso particular, não é mesmo?

P.S: Ontem completamos 3 meses de namoro, e ganhamos esta "adversidade" como presente. Com certeza, isso nos torna muito mais forte para enfrentar o que quer que seja com mais consciência e pés no chão.Me senti como a Baby Consuelo e o Pepeu Gomes quando foram "Barrados na Disneylândia" por causa dos cabelos coloridos.Chamaram mais atenção que os brinquedos do lugar!

...E pra quem não conhece a música, ou quem lembra, está afim de fazer um regresso aos Anos 80, olha o link abaixo pra baixar em mp3!

"Baby Consuelo - Barrados na Disneylândia"

"Era um sonho de criança/ A se realizar/Foi quando pintou um guarda/Sujou!/E em inglês começou a falar/Não vendam ingressos pra eles!/Aqui eles não podem entrar/Com esses cabelos coloridos/Aqui há uma lei!/Ninguém pode tirar a atenção/Dos brinquedos do lugar/Barrados na Disneylândia/Barrados na Disneylândia/Eu e Pepeu/Ele e eu"!



Postado por: Vinho ;) * 4:33 PM
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[Quinta-feira, Janeiro 31, 2008]

...Nunca é tarde demais...Bye,bye!

Preciso desabafar. Pôr pra fora essa vontade louca de sair gritando, chutando tudo...Escrevendo, é a melhor forma de exteriorizar meus sentimentos, pra até mesmo compreender o real motivo que me faz estar tão aborrecido. Sei que vai passar. Mas enquanto isso, acho que é a hora de falar à respeito do término do meu relacionamento com o Ricky, e o que ocasionou o fato. Espero, mais uma vez, que este meu relato sirva de lição e alerta para os meus caros leitores.

O conheci no ano passado através do Orkut. Na verdade já estávamos adicionados há mais tempo, porém, após a minha última ida à cidade de São Paulo, retornamos o contato de forma mais intensificada. E nisso, ele revelou estar interessado em mim.

Não sei o que se passou na cabeça dele pra investir numa pessoa que se encontra na região Nordeste, sendo que Sampa é uma metrópole com tantas pessoas indo e vindo, com grandes oportunidades de encontros, talvez com ideais e interesses mais próximos para engatar um namoro...Mas ele acreditou que seria possível,e eu no embalo, achei também que fosse. E foi assim que tudo começou.

Namorar à distância com uma pessoa que você não conhece pessoalmente é muito complicado.Primeiro, porque, mesmo com as vias de comunicação hoje bem mais facilitadas, nada se compara ao contato mais íntimo e pessoal da presença daquele que se destina a se relacionar. Fora a distância geográfica que é um fator, talvez não tão pior quanto à disponibilidade de ir e vir quando se quer. Quando o conheci estava me desligando da Rede Tropical de Hotéis e participando de seleções, ou seja, duro, sem grana, fudido e humilhado. E nisso foram meses de cartas, ligações, torpedos, brigas por ciúme de scraps no Orkut, até que se fez presente a oportunidade de eu o conhecer em São Paulo.

À primeira vista, houve empatia...Mas aí, aconteceu uma coisa que me deixou de orelhas em pé: Ele mentiu pra mãe dele, dizendo que ia dormir na casa de uma amiga...Aparentemente normal, pra quem namora um rapaz que ainda está no armário, não para um homem de 27 anos, financeiramente independente e maior de idade! Naquela hora pude perceber que sua relação com aquela que o gerou era completamente obsessiva, de maneira que ela era quem "controlava e monitorava" suas ações. E a forma que ele lidava com isso, tão passivamente, começou a me preocupar.Tudo bem que ele fosse filho único, mas eu acredito que já era tempo dele provar pra ela que sabia se cuidar sozinho. Que não havia necessidade de tratá-lo como se fosse um garotinho, que agisse de forma irresponsável. Em vão. Numa segunda oportunidade, estávamos na casa de um amigo, e por ele residir em São Bernardo, ficou tarde,e pedi que ele ligasse pra mãe para informá-la que ele dormiria fora. Qual a minha surpresa, em ver novamente a mãe controladora, exigindo que ele voltasse pra casa, pois estava tarde, que ele não havia levado roupa pra trabalhar, nem marmita...A sucessão de gritos e berros via fone continuava na sala de estar na frente de todos, deixando-me envergonhado.

Enquanto todos dormiam, ela liga às 4 da manhã pra saber se ele havia acordado, pra não se atrasar. Sem contar a forma bem-educada que ela tratou o meu amigo. O que mais faltava acontecer? Redobrei mais ainda as minhas atenções, para conhecer a personalidade do cara que estava conhecendo pela segunda vez. Completamente diferente daquele que eu conhecia via internet. Era estranho demais, ver a minha imagem sobre ele se refazendo e fazendo, enquanto descobria suas outras e novas facetas. E quanto mais eu descobria, mais assustado ficava. Mas não pensei em momento algum desistir.

Retornando à Salvador, as minhas expectativas eram outras, já não era mais a mesma coisa. O tempo ia passando, e ao invés de fortalecer o meu desejo em tê-lo por perto, o medo em ter um relacionamento-problema tomava conta de mim. Enquanto dedicava meu tempo entre novos testes de seleção, cartas e telefonemas, sentia que, mesmo que desse tudo errado, eu precisava passar por esta experiência. Minha intuição falava que era pra deixar rolar,e eu fui deixando...Não que eu não gostasse dele.O Ricky é um cara legal, carinhoso...Mas haviam diferenças gritantes entre nós dois.E por mais que se goste, nem tudo é superável. Tínhamos visões diferentes, atitudes diferentes, formas de pensar diferentes,e eu só fui sacar isso quando ele veio passar as férias aqui em Salvador. Quando me vi, louco, em casa, perguntando pra ele se ele já havia tomado banho, tomado café, trocado de roupa, trocado de cueca, se ele havia forrado a cama, se ele havia organizado as coisas, ajudado a fazer almoço...Fudeu!

Vocês receberam o toque? Então vamos recapitular...Lembra que comentei o fato dele ser filho único? Pois bem. Quem fazia tudo pra ele, na casa dele? A mãe dele. Quem lavava a roupa dele,e fazia a comidinha? A mãe dele. Logo, essas responsabilidades foram transferidas pra mim,e pra minha mãe, que não aguentando tanta roupa suja acumulada no chão do quarto, deixando mau-cheiro, começou a lavar a roupa dele. Um absurdo, eu sei..E essa falta de iniciativa (pra tudo, esperando sempre que alguém fizesse pra ele), me broxou. Aqui em casa todo mundo se vira, e se ajuda como pode. Mas, por mais que eu tentasse, explicasse,e me esforçasse pra ter toda a paciência do mundo, ele não entrou no ritmo,e a convivência acabou com o relacionamento.

E eu...não estava pronto pra aceitá-lo como ele era. Eu cobrei demais,e quis mudá-lo de alguma forma. Todas as tentativas, foram frustradas. Ele, pelas limitações que tinha,e eu, já cansado, perdi mesmo a vontade de dar continuidade. Apressamos os planos, forjamos a convivência que uma relação precisa para adquirir força para seguir adiante. Acredito que este tenha sido o maior erro que cometemos. Achávamos que mesmo à distância era possível, que tudo seria superado, quando na verdade, é no contato diário e físico, que se conhece (ou não) o outro em sua plenitude. Pela net não se sente o cheiro, não se sente o gosto...Loucura isso.

Eu já aprendi a minha lição, e mesmo com um final não satisfatório, não me arrependo de ter me dado a oportunidade de viver algo nada parecido..Se eu faria de novo? Não! Sinto raiva, rancor, ódio, mágoa...Não! Sinto uma paz interior tremenda,e não quero perder isso de vista tão cedo. Tá tudo bem, a vida continua, ainda estou vivo e pronto pra outras...



( Ouvindo nas alturas, com toda a nostalgia que os sucessos da Angélica merece!)

" E como tudo chega ao fim
O tempo vai, e não volta atrás
Eu sei que você gosta de mim
E eu gosto de você, mas não dá mais!

Baby, bye que bye, bye, bye
Baby, bye que bye, bye, bye
Nunca é tarde demais...Bye, bye"!


"Bye que bye bye bye" (Light My Fire)
Vs: Cláudio Rabello
P.S.: Sim...A canção interpretada pela Angélica é uma versão impagável de um hit dos "The Doors"...Morram, se quiser!

Postado por: Vinho ;) * 8:04 PM
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[Sexta-feira, Janeiro 11, 2008]

"Vencer as ondas desta vida"...

Estava muito feliz com o meu novo emprego, afinal de contas, só eu sei o quanto foi duro conquistar a vaga de Monitor Bilíngue em um dos maiores bancos do país. Quando, eis que de repente,a minha chefe me chama em particular para dizer que o meu contrato não seria renovado após os 90 dias de experiência, pois o meu comportamento e a minha conduta não eram pertientes à vaga que eu ocupava. Eu fiquei sem ação. O motivo era bem óbvio. Apesar de ter um excelente relacionamento com os meus colegas de trabalho, minhas qualificações como profissional caíam por terra por ser homossexual. Até parece que eu era o tipo de cara que saía por aí rebolando e desmunhecando,e fazendo graça dentro da empresa. Longe disso. Mas quando questionado sobre minha sexualidade, não neguei nada.

Enfim, não adiantava muito questionar...Assinei minha carta de demissão com uma dor no peito,e mal tive tempo de me despedir.A vida é assim, cheia de surpresas. E eu já achando que havíamos vencido o preconceito e conquistado o nosso espaço com dignidade. Ledo engano. Enquanto não mostrarmos o nosso valor, enquanto nos escondermos, enquanto não mostrarmos a cara, esse mal continuará assolando a sociedade em que vivemos, nessa completa hipocrisia.

Ano novo, emprego novo. Ganhando bem mais do que no emprego anterior. É, a vida é realmente cheia de surpresas!

P.S.: "Perguntei-me porque alguém não fazia alguma coisa. Então, compreendi que esse alguém era eu".
Precisamos parar de ter medo de ser quem verdadeiramente somos!

Postado por: Vinho ;) * 12:30 PM
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