Meu Caro Vinho
[Sexta-feira, Junho 15, 2007]
Parte I
Pronto.Estou de volta à minha terra, Cidade de São Salvador,ou debaixo do pé, do pé de laranjeira.Enquanto aos poucos, vou acalmando as emoções e dando lugar à saudade,que a cada dia insiste em me visitar diariamente, escrevo neste blog,o relato do que foi, o que significou, o que eu vivi e vi na grande metrópole de São Paulo.
Antes de mais nada, planejar esta viagem exigiu de mim o máximo de auto-confiança.Afinal de contas, a probabilidade de dar algo errado era imensa.Principalmente pra quem vive de bolsa-auxílio da Rede Tropical de Hotéis e algumas contas em pendência.Fora que, como meu contrato como estagiário iria finalizar no dia 4 de Julho, eu não teria a absoluta certeza de como iria pagar os custos dessa minha loucura.Mas alguma coisa em mim dizia: "Vai dar certo".Então, pedindo toda a orientação divina. comecei a esboçar o plano de custeio, datas, e estadia.Eu não teria como pagar diárias de hotel, pagando as passagens aéreas.Lembrei-me de alguns contatos que tinha em São Paulo, expliquei a situação, do meu desejo de conhecer São Paulo, e da necessidade de realizar e concretizar este sonho.Sim, um sonho.Era uma questão de honra, acima de qualquer coisa. Eu sou uma pessoa muito dada à minha intuição, e eu já havia marcado na minha agenda desde o mês Abril o dia 7 de Junho, data do feriado de Corpus Christi.Algo me dizia que era justamente nesta data que eu estaria em Sampa.A segunda parte do plano seria a compra das passagens aéreas.Acompanhei todas as promoções, os altos e baixos, até que o Aeroporto de Congonhas fechou a pista para reforma.Senti que era a hora de decidir se seguia adiante, ou recuava.Ok, eu poderia dar de ombros e viajar depois, mas quando se tem uma idéia fixa, é impossível largar de mão.Minha consciência não me deixaria em paz se eu desistisse de dar um salto maior e mais ousado.Minha mãe a todo momento não perdia a oportunidade de jogar na minha cara que havia mais de mil e uma coisas mais importantes que eu precisava dar prioridade, do que uma simples viagem.Pra mim era uma questão de honra. Era agora,ou nunca.Fechei os olhos e comprei a passagem de ida, para o Aeroporto de Guarulhos.Partindo de Salvador às 09:30 da manhã.Perfeito.
A terceira parte do plano seria pedir à chefe os dias de folga necessários para que eu viajasse.Respirei fundo, e tive uma conversa muito franca com ela.Meu contrato findaria e eu não sabia ao certo se eu seria contratado pela empresa.Assim como eu fui franco, ela também foi.A possibilidade era extremamente remota, já que a ocupação andava baixa, e o Hotel não teria condições de contratar mais um.E logo premeditou enxugamento de folha e demissões no meu setor, o que de fato aconteceu. Meu coração apertou demais,e eu já começando a ter medo de seguir adiante, sem grana, adeus Sampa! Voltei pra casa pensando firme no que eu poderia fazer pra encontrar uma solução,e foi aí que eu recebi o toque: Era a hora de me pôr à prova novamente.Eu tinha que fazer valer a pena.Comecei a correr atrás de emprego tudo de novo, e foram dias e dias e dias atrás de todas as oportunidades possíveis.E portas foram se abrindo (Glória à Deus). Sempre me recordo de uma frase da Elisa Lucinda nessas horas de aperto: "Pé parado afunda.Pé em movimento certo avança". Acabei sendo chamado a participar de uma seleção para trabalhar com atendimento à clientes que possuem convênio com o Banco Itaú.E o melhor de tudo: Adeus trabalhar finais de semana! Fiz todos os testes, todos os exames admissionais,e solicitaram que eu ficasse de stand by. A qualquer momento eu poderia ser escalado para ingressar na empresa.
Aí uma bomba estoura: Recebo uma carta muito carinhosa do SPC e Serasa convidando-me a pagar um saldo devedor em 15 dias, caso contrário, já sabem.Fiquei que nem a Wanessa Camargo: "Meu mundo caiu"! Eu não tinha a grana, e se meu nome fosse negativado, como compraria as passagens, sem cartão de crédito? Fiquei aflito, perdido, sem dormir! Pedi dinheiro emprestado à minha mãe, e fui na Caixa Econômica pôr uma pedra na minha maldita conta bancária Universitária. Resolvido. Em tempo recorde, angariei mais dinheiro pra ir sanando outras dívidas e tudo foi dando certo.Logo, pude comprar minha passagem de volta. Mais uma vez entrei em contato com os meus amigos de Sampa para me certificar se realmente eles poderiam me hospedar em suas casas, e nessa hora, alguns vacilaram. Apenas dois me restaram: O Wando, que conhecia há longa data, mas que nunca tinha visto pessoalmente, o nosso contato era via MSN, Orkut ou por telefone, e o Gustavo, que já conhecia aqui em Salvador. Bem. Era pegar, ou largar.
Postado por: Vinho ;) * 5:18 PM
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